Brasil

IMPRESSÕES – MEU PRIMEIRO RETORNO AO BRASIL


Olá pessoal,
Estou muito feliz de poder escrever novamente no blog.Primeiro, quero me desculpar pelo sumiço. Quem me acompanha pelas redes sociais, já sabe o que aconteceu. O fato é que não estava me sentindo muito bem, então resolvi tirar uma mini férias no Brasil e assim fazer um check-upcompleto da minha saúde.
Hoje, venho contar as minhas impressões durante meu primeiro retorno ao Brasil após quase 4 anos vivendo no Japão. Confesso, no primeiro momento é estranho ouvir todo mundo falando português e é horrível sentir-se uma estrangeira dentro do seu próprio país. É como você estivesse pisando ali pela primeira vez.
Vamos então à minha mini lista de tudo que estranhei em terras brasileiras:
1 – Entrar em casa com os sapatos usados na rua. Como eu sofria com isso. Depois que você se acostuma no Japão à tirar os sapatos, percebe o quanto isso é higiênico e conserva a casa limpa.
2 – Jogar o papel higiênico na lixeira. Isso é horrível! Pra que deixar aqueles papéis sujos na lixeira? E depois ter que tirar o lixo. Que desagradável!
3 – Greve. Para quem não sabe, moro em São Bernardo do Campo-SP e justamente nessa época os servidores públicos resolveram fazer greve. Quem conhece essa cidade, sabe que o Paço Municipal liga praticamente todas as vias de transportes da região. Toda vez que tem paralisação lá, para onde você acha que os grevistas vão? Para o paço, é claro. Nossa …. como isso me irritava. Marcava consultas pela manhã, ficava cerca de duas horas parada no trânsito devido às manifestações e acabava tendo que remarcar. Ficava muito p… com isso. Greves são praticamente inexistentes no Japão, mas, já cheguei a presenciar uma. Os funcionários da linha ferroviária decidiram parar as atividades porque estavam reivindicando um aumento de 100 ienes (cerca de R$ 2,00) no salário. A paralisação começou às 05:45 da manhã e terminou exatamente às 06:00. Afinal, eles sabem que muitos trabalhadores dependem de trens para chegar ao trabalho e que eles não podem prejudicar quem utiliza o meio de transporte. E se você chegar atrasado por causa desse 15 minutos de paralisação? O guichê da estação emite um papel explicando o ocorrido.
4 – A senhora tem trocado? Já tinha me esquecido desse detalhe e como isso me irritava. Percebi que o dinheiro em espécie no Brasil está em extinção e que os operadores de caixa tem que “se virar” para conseguir cédulas. Aqui você nunca ouvirá isso, mesmo se for comprar uma bala e pagar com uma nota de 10 mil ienes.
5 – O descuido com o dinheiro. As cédulas estão sujas, rasgadas e pixadas. Sentia nojo ao pegar! Como reduziram o tamanho do nosso “real”, o que não gostei, fica aquela bagunça na carteira.
6 – Temos wi-fi “para inglês ver”. A maioria dos lugares está equipada com wi-fi, até mesmo nos ônibus. Isso me impressionou muito, mas, com o passar dos dias percebi que muitos não funcionavam e o sinal era ruim. Em alguns lugares como o Shopping Aricanduva, o sinal era restrito apenas à um local determinado.
7 – Péssimo atendimento e a falta de educação do povo. Acredito que muitos me criticarão, mas quem já veio ao Japão sabe que o atendimento e a cortesia são impecáveis. Foi realmente um choque, pois já não lembrava mais de como era ter que brigar para ter os meus direitos de cliente válidos.
8 – Ser roubado a todo instante. Mew, todo mundo sabe que não existem mais moedas de R$ 0,01 centavo e por que os comércios insistem em colocar preços quebrados nos produtos?  
Imagem retirada de http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-680628657-moeda-de-1-centavo-real-1996-rara-_JM
9 – Transporte precário e asfalto péssimo. Deveria ter um programa do governo assim: “A cada dez corridas de ônibus, ganhe uma consulta com o ortopedista.”. Não dá …. balança muito, motoristas loucos que não respeitam seus passageiros e o asfalto sempre com crateras.
10 – Burocracia para resolver tudo. Sempre dão um jeitinho de complicar sua vida. Até mesmo para tirar um simples documento no cartório, tem que fazer um pedido formal, digitado, assinado, reconhecido firma, autenticado …. ufa!
11 – Trânsito. Achei o trânsito uma loucura e os motoristas já não respeitam mais as leis. É na base do salve-se quem puder.
Estação da Luz à espera de um trem
12 – Mas nem só de pontos negativos vive o Brasil. Não posso negar que estava morrendo de saudades da comida farta, da variedade de frutas e de encontrar culinária do mundo todo em uma só cidade. Comi e comi muito bem! Meus ligeiros quilinhos, que ganhei com muito orgulho, não me deixam mentir. 
Comida farta e bons restaurantes
13 – Todo mundo ligado nos celulares, tablets, mesmo as operadoras cobrando altos preços.
14 – Barulho. No trânsito, dentro do ônibus, no metro ….
15 – Senti falta dos relógios. No Japão, qualquer lugar que você olhe, sempre tem um relógio por perto. Coisas de japoneses que sempre chegam no horário marcado aos compromissos. No Brasil, quando esqueci o relógio de pulso e o celular em casa, não encontrava um!
É triste após tanto tempo fora, ver que pouca coisa mudou. Claro que sinto falta de muitas coisas, como estar em uma fila entediante e puxar uma conversa com a pessoa ao lado, falar com a operadora de caixa sobre qualquer assunto, demonstrar afeto em público sem ninguém ficar te olhando. Esse tipo de coisa não vemos no Japão. Mas, depois de 3 meses por lá, já estressada com a falta de respeito ao próximo e com os outros problemas sociais que acomete o Brasil, lembrei-me dos motivos que me fizeram sair de lá. E novamente, ao desembarcar pela terceira vez no aeroporto de Narita, sinto todas as emoções que senti logo que pisei aqui.
Japão, estou de volta! 
Abraços,
Thais Fioruci

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